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Campo dos sonhos: o limiar entre a psicanálise e a neurociência

Por Andre Talvani Pedrosa da Silva

                Os sonhos podem representar manifestações de desejos reprimidos. Sigmund Freud, o pai da psicanálise, instigou este preceito no capítulo III de sua revolucionária obra, “A interpretação dos Sonhos”.Porém, 122 anos transcorridos da conclusão desta obra, a ciência evoluiu exponencialmente e contribuiu com novos elementos para consolidar as concepções freudianas acerca dos sonhos, dentre eles o conhecimento do padrão eletrofisiológico do sono.

                O cérebro humano, em vigília,apresenta um padrão comportamental com ondas elétricas rápidas (alta frequência e < amplitude). Durante a jornada de redução do estado de vigília, é necessária uma mudança gradativa nos padrões das ondas elétricas(<frequência e>amplitude), atravessando 4 estágios de relaxamento até atingir o 5º e último estágio, caracterizado por uma resposta atípica de movimentação dos músculos dos olhos. Neste 5º estágio do ciclo do sono, as ondas elétricas do cérebro se assemelham às ondas observadas em estado de vigília, ou seja, mesmo mediante o relaxamento muscular e em sono profundo, o indivíduo experiencia uma hiperatividade cerebral e, é convidado a iniciar uma fascinante jornada pelo campo dos seus sonhos.

                As regras neste campo dos sonhos são impostas pelo inconsciente. O superego deixa de exercer seu domínio e o Ego, num estado de libertação temporária, permite que o ID traga à tona desejos, pulsões e manifestações psíquicas do inconsciente. O campo dos sonhos é um espaço atemporal, envolto por estruturas, imagens e linguagens oníricas, permitindo ao sujeito extravasar e vivenciar sua libido, anseios, recalques e traumas, sem qualquer julgamento!

                Porém, mesmo diante desta manifestação liberta do inconsciente, o Ego ainda permanece em parcial vigília,permitindo que algumas experiências traumáticas sejam trazidas por intermédio de elementos lúdicos e personificados, minimizando assim, o sofrimento psíquico – mesmo durante o sono. Trata-se, portanto, de uma proteção psíquica no campo do inconsciente. E a proteção dos sonhos vai além. Como experiências psíquicas não foram vivenciadas no plano do consciente, as sinapses neuronais responsáveis pela construção da memória, na área do hipocampo,tornam-se falhas. E, assim, não há memorização dos sonhos. Eles podem ser parcialmente recordados, após o despertar, mas os detalhes se perdem minutos após o pleno estado de consciência.

                Por isso, os sonhos podem tanto atuar como válvulas de escape necessárias para o extravasamento psíquico quanto como mecanismos de defesas necessários para o “não sofrimento” (representado aqui pela não memorização).A psicanálise se utiliza destes elementos deslocados e fragmentados dos sonhos como chave de acesso ao inconsciente do analisando, propiciando-lhe reflexão e autotransformação sobre as relações ID, Ego e superego em sua estrutura psíquica. E o mais fascinante: a psicanálise permite esta viagem ao inconsciente do analisando estando ele na plenitude de sua vigília/ consciência, utilizando-se para isso, a sutileza da abordagem da livre associação.

ANDRE TALVANI PEDROSA DA SILVA
Estudante de psicanálise

Um comentário

  1. Edna da Silva Anacleto

    Bom dia!

    Eu sonho muito, tem sonhos que parece real, e algumas vezes acontecer aquilo ou parecido com o que sonhei, como se fosse aviso, outras vezes sonhos muitos embaralhados não consigo entender nada, outras vezes não lembro do sonho, mas da maioria das vezes eu consigo lembrar, eu sonho todos os dias. Gostaria de mais detalhes dentro da psicanálise por favor! Obrigada

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